Todo dia tomo café
e não tenho fé.
É que tomo-o sem açúcar,
não tento esconder amarguras da vida,
pois sei que não há saída.
Afogo-as como a um saquinho de chá,
e absorvo a sua essência.
E o sofrimento é de mim
parte.
Como ambiguidade que me
Mas não posso todo dia tomá-lo.
Então às vezes escolho:
ou suco
ou chocolate quente.
Não há estômago que aguente
sobreviver a essa úlcera.
Sobra-me a borra da demência.
Sobra-me a borra da demência.
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